Poupar para que seja Feliz Idade

As visitas a um familiar em um hospital podem se estender a outros. Naquele dia observei uma idosa visitando seu parente, também idoso. No pouco tempo que ficou ela me disse que o irmão não tem mais esposa e o filho está no interior. Poucos recursos e parca aposentadoria. - "Mal tenho condições de cuidar de mim, que dirá do meu irmão", ela disse. Quis saber se a enfermeira conhecia algum lar de idosos para ele seguir pra lá quando tivesse alta. Seu irmão, vestia um daqueles aventais verdes que só cobrem a parte da frente. Deixava o bumbum de fora e ele não parecia se dar conta disso. A enfermeira ainda brincou: "Sr. W. assim alguém aqui se apaixona". Ele continuou inexpressivo, ora ou outra acenava com a cabeça ou murmurava alguma coisa às poucas perguntas da irmã. Logo ela se despediu. Tentei me dividir um pouco como visita. Menos do que gostaria. Aquela irmã idosa, segundo a enfermeira, foi a única visita do Sr. W. naquela semana. Nem vou falar aqui em como as famílias se mobilizam nos adoecimentos. Cada uma tem sua dinâmica. Em geral nada fácil. Pensei outra coisa. Pensei que a velhice em si já implica tantas perdas, pior ainda com adoecimento. Bem pior. E as estatísticas apontam para uma população com mais anos vividos nesse Brasilzão. Com o sistema de saúde precário como anda, com a grande maioria sem convênios ou sem poder pagar planos de saúde, me perguntei como estarão grande parte dos jovens de hoje: Os futuros idosos. Pensei nos meus filhos, sobrinhos, filhos de amigos. Deu vontade orientar para que façam suas poupanças pró-envelhecimento. Inviável pensar viver de aposentadoria. Não nesse país. E do jeito que a crise tem aumentado o nível de estresse, ansiedade, depressão, etc. me perdoem o excesso de realismo: Poupem saúde e dinheiro. Porque viver e desfrutar da vida é muito bom. Então se esforcem para que tenham muitos anos com qualidade favorável à quantidade de vida.

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