Outro dia, um senhor com 79 anos, viúvo, que mora sozinho, me falou que foi ao médico desacompanhado. Estava com febre e indisposto. Não quis incomodar os filhos e "se virou sozinho". Já tem um tempo que tenho percebido que ele anda fazendo as coisas por fazer, não sente prazer em nada, não faz planos, sente um vazio e chora no escuro. Disse não querer chegar aos 90. Uma coisa que poucos sabem: Depressão em idosos pode ficar mascarada e nem sempre é diagnosticada. Seus filhos não perceberam pois estão envolvidos com suas famílias nucleares, trabalhos, compromissos, etc. São visitas na casa do pai e o levam para alguns almoços aos finais de semana. Ele não reclama. Repete que não quer dar trabalho. Conversei com uma das filhas e ela me disse que o pai sempre foi o Super Dad, resolvedor de todos os pepinos.
Disponível em todas as horas. Mas, vamos lá, - sempre foi - agora que tal um olhar diferenciado para suas atuais necessidades? Que tal acompanhá-lo às consultas médicas, rastrear melhor seu habitual "tudo bem"? Vamos combinar que quando se vai ao médico bate certa fragilidade, ninguém vai porque quer. Imagina, estar sozinho. Tudo bem que têm pais que foram super, super, super. Podem continuar sendo. Só que com filhos ali do ladinho quando estão adoecidos ou carentes. Pegando na mão, amparando, ouvindo... numa doação incondicional ao super herói envelhecido.



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