O melhor lugar do mundo é (também) dentro de um Abraço. Isto porque quando se está bem consigo mesmo, qualquer lugar poderá parecer o melhor lugar do mundo. Onde estamos agora, por exemplo. Seja no sofá da sala, sentado na calçada, numa viagem a Paris ou paraíso ecológico, tanto faz - o que importa é estarmos bem por dentro. O lugar torna-se secundário. Estarmos acompanhados, também. Será bom se estivermos bem para estarmos com a outra pessoa. A felicidade não vem do lugar ou do outro. E cada um tem seu jeito de estar e sentir a tal felicidade.
Outro dia, por exemplo, encontrei uma amiga muito jovem e muito de bem com a vida, passeando com um caderno de capa preta embaixo do braço. Começamos a caminhar e na conversa perguntei se era uma bíblia, evangelho ou algo assim. Não. Me contou que era apenas um caderno para anotações de projetos e significados. Bacana não é? O que poderia passar batido seria registrado e transformado. Um tipo de reciclagem mental ou processo de bem estar construído com duas atividades bem simples: Caminhada e anotações. De novo, bem bacana. E me contou, também, que tinha comemorado a entrada do ano novo sozinha em seu apto. E muito bem, obrigada. Muito bom, para ela. Entretanto, uma coisa vale ressaltar - Estar bem não depende só da nossa boa vontade. Quero dizer que se uma pessoa sofre de um quadro depressivo ou ansioso, entre outros, a história muda toda de figura. Não importa onde ou com quem ela esteja. E pode acontecer em todas as idades, inclusive com crianças. No caso da população de idosos, especificamente, o quadro pode ficar mascarado por justificativas somáticas. As dores e reclamações se sobrepõem, assim como os silêncios e isolamentos.
Outro dia um senhor me contou que foi com a esposa depressiva para a Europa. Lá ela não quis sair do quarto. Ele ficou decepcionado, pois pensava estar lhe dando um presente especial. E era. Só que ela não estava bem para aproveitar tal presente. Ele lamentou o fato dizendo que tanto fazia ter ido com ela até a esquina de sua casa. Agora, ela estava em tratamento medicamentoso. Mas me procurou dizendo que ainda faltava alguma coisa. Estava bem, mas não estava bem. Parecia apática e distante. Sim, os remédios são eficientes, mas não dão conta de outras demandas. Funcionam melhor quando combinados com atividade física, boa terapia, alimentação saudável, suporte familiar e social. Além disto, costumo incentivar a terem um projeto de vida, mesmo que modesto. Algum sonho a ser almejado, não importando a idade. Descobrir o que mobiliza por dentro. Em suma, sair de um tipo de limbo. Pensar em algo pelo qual vale a pena acordar todos os dias - que irá inflar a vida de motivação e vontade de abraçar o outro. Abraçando-se primeiro.





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