Bela Velhice - Que seja doce


Morangos. Chocolates com recheio de morangos. Esse foi o mimo que ganhei daquele admirável casal de idosos.  Depois de um tempo de convivência, na conclusão de um trabalho, deixam saudades. Fiquei com o brilho no olhar de agradecimento. Sigam em paz e felizes. Me deixaram em paz e feliz.  Gosto dessa sensação e das boas lembranças.
  Claro que nem sempre são boas. Há episódios desagradáveis, também, como tudo na vida. Certa vez, um filho, se exaltou, por uma bobagem com seu velho pai em minha presença. Fiquei desconfortável. Queria defender aquele senhor que emudeceu e só abaixou a cabeça. Só pensei – como poderia tal intolerância e  que a idade também chegaria para ele -   Já ouvi de muitos que é preciso paciência para lidar com velhos.  Felizmente, tenho esse dom.  Já me disseram que um dia poderá acontecer  de não terem paciência comigo, daqui alguns anos. Ninguém está livre disto. Sim, poderá acontecer, comigo, com você.  A velhice tem, também, esse lado um tanto perverso. Além das perdas naturais poderá acontecer outros comprometimentos. Implicará que alguém venha a pensar por você, escolher por você, falar por você e argumentar que faz tudo isso para sua segurança e bem estar.  Não deixará de estar certa.  Ainda que, infelizmente, por trás de determinados cuidados, parte da identidade de quem os recebe vá se esvaindo. Outro dia, uma filha me contou que trancou seu pai no quarto para impedi-lo de arrumar as prateleiras, disse que – ele poderia se ferir -  Seu pai, depois me falou que só queria ‘organizar um pouquinho aquelas caixas e estava cansado de não fazer mais nada'. Quem estava com a razão?  Os dois. Cada um em determinado ponto de vista. Não pretendo me estender nisto agora. Chegou o final do ano.  Correrias das compras de natal, confraternizações, balanço de um ano inteiro. E eu aqui contanto histórias.  Fica aqui uma pequena reflexão e desejo de quem gosta muito de gente ´velinha´:  Que a sua/minha velhice seja leve, afetiva e cercada de familiares e amigos amorosos e compreensivos. Que saibam entender o que está por trás de uma velha carcaça.  Tudo o que nos tornou únicos.  Tenho a sorte de fazer diferença na vida de velhos (carinhosamente os chamo assim) e termino o ano grata, leve e feliz por essa oportunidade.  Vamos às merecidas comemorações. Sabemos que a vida continuará nos pregando peças, que teremos perdas e ganhos e que iremos conviver com nossos anjos e demônios, por aí vai.  Felizmente, teremos, também, momentos de afetos, agradecimentos, comunhão com a natureza e a gostosa sensação de missão cumprida – Boralá -  Feliz Natal!



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