Entendo
muito pouco de futebol. Até torço na copa do mundo ou no final de algum
campeonato que envolva o time de um familiar e olha lá. Em suma, torço ou sofro junto, solidariamente. Apenas. Repito que entendo nada de jogo. Mas entendo um
pouquinho de gente. Da emoção e dor do outro. Aprendo empaticamente, digamos assim. Me
emociona ver as pessoas vestirem a camisa por uma causa. Momentos que humanizam. Solidariedade pelo sofrimento ou justiça alheia. Então, penso nesse vestir a camisa nos momentos de dores e perdas. Quando a gente vê, por exemplo, um país, como a Colômbia,
vestir a camisa de solidariedade pela dor chapecoense e, por que
não dizer, brasileira, já que envolve toda a nação. Naturalmente, chorei junto. Acompanhei as
cenas de abraços, depoimentos comoventes (o da mãe do goleiro me derrubou), dos
silêncios, das lágrimas, preces, enfim, todo o cenário no entorno desse sofrimento coletivo. A perplexidade causada pelas fatalidades, catástrofes, o que foge do nosso
pseudo controle. Aí pensei - Puxa que tocante a solidariedade do
povo colombiano. Li que uma repórter escreveu: "...um outro país em especial, acolheu a dor da tragédia como se fosse a dele também”. Então, me perguntei: E não foi? Por que será que nos surpreende a comoção do outro? Não seria natural nos comover com o sofrimento, independente
da nação, crença, regime, etc. Afinal, somos todos humanos, sofremos e nos compadecemos (assim quero
crer). A mim, por exemplo, paralelamente
ao último acontecimento da queda do avião, me tocou profundamente a morte de um PALHAÇO. Não qualquer palhaço.
Trata-se de Anas al-Basha, que se fantasiava
de palhaço para alegrar as crianças na cidade sitiada de Alleppo. Ele foi morto
em decorrência de um ataque aéreo. Tinha se casado há dois meses e vivia para fazer as crianças rirem e se
sentirem felizes no lugar mais escuro e perigoso do mundo. Me choca saber que mais
de 300 mil pessoas morreram e milhões foram obrigadas a fugir desde o início
da guerra na Síria, há quase seis anos. O leste de Aleppo corre o risco de
tornar-se “um gigantesco cemitério” caso os combates continuem. Calcula-se que
250 mil pessoas ainda estão vivendo na cidade sitiada, das quais 100 mil são crianças. Pobres crianças. De todos os seres humanos, as crianças emocionam singularmente, talvez porque representem a continuidade de uma vida que deveria seguir seu rumo. Aí penso que nos acostumamos com as
tragédias que se arrastam. Ficamos mais chocados com as que nos pegam de
surpresa. Será? Somos, mesmo, seres complexos. Nos emociona as emoções alheias, as condolências alheias, o que nos surpreende. Já as guerras, fazem parte do cotidiano. As demonstrações solidárias, evidenciadas pela mídia, também serão páginas viradas.
Como disse o narrador do velório - a vida segue - Aí, vem a peça, aqui, e coloca um palhaço no meio de tudo isto. Misturando as coisas. Será? Talvez, sim. Levo a fama de tergiversar. Só sei que meu minuto de silêncio vai para aquele palhaço, também. Lá ele não teve homenagem póstuma. Não teve comoção nacional, Nem lágrimas universais. Por que será? Não sei. Por hora não quero pensar. Apenas reverenciar com silêncio.
Como disse o narrador do velório - a vida segue - Aí, vem a peça, aqui, e coloca um palhaço no meio de tudo isto. Misturando as coisas. Será? Talvez, sim. Levo a fama de tergiversar. Só sei que meu minuto de silêncio vai para aquele palhaço, também. Lá ele não teve homenagem póstuma. Não teve comoção nacional, Nem lágrimas universais. Por que será? Não sei. Por hora não quero pensar. Apenas reverenciar com silêncio.




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