Café com Dostoievski

Almocei salada Caesar: chique, saborosa, dissimuladamente, light. Ainda me permiti fatia fina de bolo com café expresso na doceria ao lado. Sem nadica de culpa. Caminhei com o sol me olhando de esguelha. O vento primaveril que tomou minhas mãos e seguimos. Mansamente.
Gostei dessa sensação de câmera lenta aguçando os sentidos. O tempo parecendo parar até que - do nada, saltou no pensamento um personagem do livro de Dostoievski: "Memórias do Subterrâneo" e ele disse: "fim dos fins meus senhores: o melhor é não fazer nada! O melhor é a inércia consciente! Pois bem, viva o subsolo! Embora eu tenha dito realmente que invejo o homem normal até a derradeira gota da minha bílis, não quero ser ele, nas condições em que o vejo (embora não cesse de invejá-lo. Não, não, em todo caso, o subsolo é mais vantajoso!) ali, pelo menos, se pode… Eh! Mas estou mentindo agora também". Perdoe a observação, caro Dostoi: esse cara é um chato. Apareceu cínico, sem ser convidado - Hoje nada de subterrâneo. Quero as nuvens.

0 comentários:

Postar um comentário