Fui fazer caminhadinha pós almoço. Senti o frescor do vento no entardecer. Notei pessoas andando no piloto automático, absortas em seus fones de ouvido. Vi uma senhora sentada numa cadeira,
próxima ao portão de sua casa antiga, com janela grilhotina e venezianas de madeira. Ela, absorta em seu livro, em cena quase rara. Seu cão de pelo preto e branco brilhoso. Tinha olhar vívido e estava deitado com as patas cruzadas, acompanhando o movimento de carros e transeuntes.
Todos alheios à sua existência. Eu o cumprimentei com o olhar. Ele respondeu com sorriso canino. Foi amizade instantânea. Segui e passei na costureira de mãos de fada. Ela tem nome de flor e flores em seu jardim. Salvou uma peça de roupa coringa que tinha dado como perdida. Reparei as mãos macilentas, manchas senis e veias grossas, formando a letra H em seu dorso - Mãos de fada. Paguei e segui. Gostei de ter apreciado o tudo de quase nada. Frugalidades bonitas. Arrebanhei leveza, sutileza, singeleza e
outras boas rimas pelo caminho. Num dia que poderia ser mais um - mas cresceu em mim e me inspirou a tecê-lo por dentro.
Assinar:
Postar comentários (Atom)




0 comentários:
Postar um comentário