A vida que segue


Cena do dia 1: No cruzamento, uma moça com seu possante na pista ao lado. Quando dei sinal que seguiria ela esbravejou com a cabeça fora do carro. Parei, calmamente. Fiquei olhando, sem falar nada. Ela roncou o motor, agressivamente. Avançou com ares de poderosa.
Fiquei um tanto passada. Talvez por ser algo longe do que eu faria. Alguns metros, à frente, ela estava parada. Novamente, numa fila de carros. Outra vez, ficamos bem próximas. Uma senhora, que estava no banco do passageiro do carro da moça, abriu o vidro e me pediu desculpas. Pela gentil senhora, desculpei a moça. Assim como sua juventude ansiosa e impulsiva (pra não dizer mal educada). Segui em frente... Cena do dia 2: Na farmácia, no balcão, entreguei a receita. Logo apareceu o "Sr. Nicolau" e sua esposa. Ele, com seus 80 anos. Soube seu nome porque todas as atendentes o cumprimentaram cordialmente: "boa tarde, Sr. Nicolau, o que vai querer hoje?"
Achei graça. Ele se antecipou e tomou meu lugar no balcão. A moça me deixou aguardando. Depois, justificou que Sr. Nicolau vai lá todos os dias, em busca de algum remédio. Todas gostam dele ou do seu consumo diário. Ele saiu com a cestinha cheia como se fosse supermercado. Uma farmacêutica tirou suas dúvidas de alguns comprimidos. Senhor Nicolau me sorriu, agradecido por ter-lhe cedido o lugar no caixa. Eu, lhe sorri, agradecida por estar sem a pressa daquela moça. De ter o tempo necessário para observar singularidades - da vida que segue.

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