Ontem fui a um restaurante e presenciei uma cena decepcionante. Um idoso estava com seu filho adulto e se dirigiam à fila da refeição. Acontece que ele esqueceu de pegar um prato e colocou a comida sobre a bandeja. Se encaminhou depois para a mesa quando seu filho o segurou pelo braço antes que sentasse. Ao invés de orientá-lo, sutilmente, sobre a falta do prato, esbravejou e falou que o pai deveria comer ali mesmo para aprender. Ainda, dono da razão, falou alto: “preste mais atenção, como pode ser tão esquecido, aqui não é chiqueiro”.
O pai ficou sem ação e a moça da copa, solidária, falou que poderia se servir novamente ao que ele se recusou dizendo ter perdido a fome... Lamentável, não é? Infelizmente, o fato remete àquela fábula da tigela de madeira em que um menino de quatro anos observa como seu pai trata o avô durante as refeições. O idoso, trêmulo, sempre era chamado a atenção rispidamente pelo filho, por derrubar comida ou mesmo quebrar algum prato durante a refeição. O que fez o filho? Justificando o prejuízo de pratos quebrados e comida desperdiçada, colocou seu pai num canto da cozinha para comer sozinho, numa tigela de madeira, feita por ele.
O neto via seu avô isolado e entristecido. Numa ocasião, o homem observou o filho no chão da sala e parecia brincar com pedaços de madeira. Perguntou-lhe o que estava fazendo e o menino respondeu: “estou juntando pedaços de madeira, papai, para aprender a fazer a tigela para quando você estiver velhinho como o vovô”... Fábula e fatos à parte, questiono quando filhos adultos reclamam de se sentirem sobrecarregados, com pais idosos que se tornaram dependentes por algum problema de saúde. Muitos falam que se transformaram em pais de seus pais e os enchem de atenção, fazem atividades diárias por eles - mesmo que ainda tenham alguma autonomia - e passam a reclamar ou se sentirem vítimas do destino. Penso que pais não se tornam filhos dos filhos. Serão sempre os pais, mas que poderão estar em outro estágio da vida com determinado grau de necessidades que requerem compreensão, apoio e respeito.
O aprendizado vale para os dois lados. E o ciclo da vida continua e se repetirá para todos. Preferencialmente, que seja com o amor que poderá ser, também, copiado lá na frente...
O aprendizado vale para os dois lados. E o ciclo da vida continua e se repetirá para todos. Preferencialmente, que seja com o amor que poderá ser, também, copiado lá na frente...



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