Por que eu queria atender se estava no meu momento de relaxamento? Por que tão difícil parar para cuidar só de mim? No biombo ao lado o celular também tocou e uma voz feminina gritou: “W. me tira daqui... meu chefe deve estar atrás de mim”. Ela gritou mais que uma vez e isto começou a me incomodar. Quase fiz coro com ela pra chamar o W. que não vinha “livrá-la” das agulhas que a impediam de atender o tal chefe. Depois, um breve silêncio. Nada do W. aparecer.
Ouvi até o ronquinho da moça. Finalmente ela se desligou. Minutos depois o W. apareceu e ouvi suas desculpas do outro lado: “Você aí querendo relaxar e eu aqui gritando, né... desculpe” . Falei que tudo bem. Admiti que também tinha tentado pegar para atender. Só desisti , pois a agulha doeu a mão... Conversamos, brevemente, cada uma de sua maca. Sobre essa necessidade de nos sentirmos insubstituíveis ou disponíveis o tempo todo. Fizemos a pergunta óbvia: Por que não desligamos o bendito celular? Que vazio é esse que precisa ser preenchido pela necessidade de ser procurada ou lembrada o tempo todo? Seja pelo celular, face, zap, etc... Antes não tinha nada disso. Será que as urgências mudaram ou nós é que nos tornamos reféns das facilidades tecnológicas? Sem dúvida, são úteis, mas sem limites só aumentam ansiedade, impedem boas conversas, leitura de um bom livro, roubam o silêncio que abastece. Pior, não nos livramos dos excessos de informações. E os chefes, familiares, seja quem for, talvez só não saibam esperar pois os acostumamos a estarmos disponíveis em tempo integral...Não explicamos nosso limite. Ontem, num programa, o filho do Caetano Veloso disse que o pai não tem e não quer ter celular. Vive bem, sem. Achei curioso. Não pensei no extremo de me livrar do meu. Mas em me disciplinar e desligá-lo ou silenciá-lo de vez em quando. Como quando estiver com amigos, com a família, alguém especial ou comigo mesma, sem fazer nada. Só para relaxar, dormir ou cuidar de mim na acupuntura... Lembrei que outro dia, uma moça, atendeu o celular durante a terapia. Falou que era urgente. Falei - "tudo bem, mas que urgente, também, seria pensar nela mesma". Como tenho que fazer comigo. Como a estranha do biombo, que não vi a cara, tem que fazer com ela. Como cada um tem que dar o exemplo e fazer. Espetar a própria consciência.




Sinto que o seu blog esta cada vez mais gostoso de acessa-lo! Parabens e obrigada!
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