Uma vez uma amiga estava cabisbaixa e caída. Me disse que o motivo era a “overdose” – como assim?
Ela nunca foi chegada em drogas. Que droga é essa? Aí explicou que não era overdose de droga, era overdose dela mesma. Ahmm??? Então explicou com cara desiludida que não saia há um bom tempo com alguém especial. Aí apareceu uma chance, pois reencontrou um ex affair na internet. Trocaram figurinhas e tal e coisa. Até que surgiu o assunto de saírem. Depois de longos anos iriam marcar reencontro. Quem sabe, ela pensou... - poderia ser tão bom quanto já foi um dia - Ela não tinha ouvido a música do Lulu “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa.Tudo sempre passará..." Mas, enfim, ela queria apostar no reencontro. Investiu no visual. Planejou cada detalhe: até emagreceu, cortou o cabelo, fez as unhas, cuidou da pele, dos pelos, de cada centímetro de si que poderia ser visto, tocado e admirado. A turma achou que ficou bem bonita. Mesmo ela se achou, o que era a parte mais difícil. Alguém sugeriu que ao invés de uma noite, juntos, poderia propor um final de semana. Assim, teriam mais tempo para matarem a saudade. Conversariam muito. Curtiriam cada minuto, muito. Ririam, muito... Tudo muito. Do melhor que poderia ser. Pelo menos em seu sonho seria assim. Foi, então, que pesquisou um chalé com cara de ‘nós dois’. Para o tal final de semana. Estava ansiosa, mas arriscou a proposta. E ele falou: “mais que
uma noite seria overdose” . Oiiiii....como alguém desmorona, assim, minha amiga? Seus sonhos, em segundos, escorreram pelo ralo. Foi isto... E ela sentiu que se sua companhia era um tipo de overdose para alguém, não era boa companhia. Queria virar avestruz e enfiar a cara no chão. Aí subi no salto e a convidei para sair. Mexeu com minha amiga, mexeu comigo. Sugeri que se produzisse como se fosse para o tal encontro. Ela resistiu, mas aceitou. Passeamos em alguns lugares e depois fomos a uma livraria. Sentamos ao lado de uma mesa em que um rapaz lia o mesmo livro que minha amiga pegou na estante. Quando conferiram a capa, riram e começaram a conversar. Como eu tinha um compromisso me despedi e ficaram numa boa conversa. Isto tem dois meses. Hoje, minha amiga ligou dizendo que está pra lá de feliz. Vão para Paris. - Vão? Como assim? Me agradeceu por ter sido o cupido. Eu? Não. Fui só quem abriu seus olhos de que overdose seria passar a noite com aquela pessoa que não a merecia. - Paris te chama. Bon voyage, mon ami.
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