Por que tão feias, ainda que indefesas? Passei, quando os homens brincaram de jogar uma delas em minha cabeça. Gritei de imaginar. Me arrepiou da cabeça aos pés. De medo, asco, ojeriza e sei lá mais o que... Aquele corpinho listrado, tricolor, com um tipo de pelugem em sua superfície irregular... afff... não... mil vezes não...
Que esses homens não me façam essa brincadeira de causar infarto... Aí um deles me falou, com olhos funestos, que colocou uma boa quantidade num saco ...preto. Fechou para sufocá-las. Achei tétrico e triste imaginar as coitadinhas se embolando sem ar, sem rota de fuga, sem eira nem beira... não... não... não... Ainda que com medo delas, mil vezes não queria isto em suas breves vidas. Na saída eu vi uma delas entre uma calçada e um matinho. Parei e busquei uma folha para direcioná-la para o mato, onde estaria mais protegida de homens sufocadores. Ela se deixou conduzir com seu corpinho molenga. Até admirei sua flexibilidade, leveza e minha suposta falta de medo. Ela se enfiou na relva e a imaginei feliz... sã e salva. E não tão feia, assim. Fica até bonitinha, com listras coloridas... vai, minha querida... Mas de imaginar alguma entrando pela boca da calça.... afff... sei não se quem ama o feio, bonito lhe parece. Pode até ser - mas ela lá, eu cá. Só sei que gostei de vê-la viver. E de viver para valorizar o que via.
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