Beber Saudades




Por vezes, tenho sede de pessoas. Vivas ou mortas. Chegam feito forasteiras. Em conta-gotas ou enxurradas. Tem dia que elas são a cara do dia. O cheiro do dia. São o dia. Mas não estão. Só são saudades. Então, entrem. Me rendo em lembrar. Me engano um pouquinho com sua pseudo presença. Não o suficiente. Não tem abraço. Não tem olhar nos olhos. Não tem ouvir respiração. Não tem... Das mortas, saudade urdida. Das vivas, saudade ardida. Mortas ou vivas, passada a compulsão, busco o entendimento. Da impermanência. Do silêncio. Do significado. Do tempo matemático, desafeito às minhas vontades. Da exatidão do que tivera que ser. Nem mais, nem menos. No mais, ainda há sede. Beber lembranças

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