Almoço entre amigas

    Se almocei sozinha? Não. Imagina. Foi com a Clarice ( a Lispector). Preparei-lhe macarrão integral, a parisiense . Salada de folhas frescas com tomates firmes. Simples. Mas ela repetiu, de tão bom.
    A Elis chegou de surpresa, mas ainda estávamos à mesa.
     No café nos homenageou cantando, melancolicamente, "Fascinação".  E o dia foi escorregando na pluma das horas. Sem controle. Sem cobranças. Languidamente... Elis se despediu.
    Clarice me fez sinalizar uma passagem com o marcador: "...Eles rodeavam a mesa, a família. Cansados do dia, felizes em não discordar, tão dispostos a não ver defeitos. Riam-se de tudo, com o coração bom e humano. As crianças cresciam admiravelmente em torno deles. E, como borboleta, Ana prendeu o instante entre os dedos, antes que ele nunca mais fosse seu..." Elas me deram um tom egoisticamente feliz. E daí? Prefiro interpretar como momento, de empoderamento,  feliz. Depois fui para a cama. Onde ele me aguardava, prazerosamente - Nuamente intenso. Na página 126. 

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