Ando intolerante com certas intolerâncias alheias. No caso, as intolerância da rotina, como pessoas que não toleram aguardar você atravessar na faixa de pedestre, pessoas que não facilitam nas demandas profissionais – nada proativas. Pelo contrário, passam a impressão que somos seres que incomodam suas vidinhas. Pior que isso, vou focar em algo silenciado - na intolerância aos odores de tudo que é expelido por qualquer ser humano. Vou explicar melhor. Outro dia, uma pessoa querida, que usa bolsa de colostomia, me falou constrangida : “não vou entrar nessa lanchonete, pois podem se incomodar com meu cheiro, aquela vez, alguém torceu o nariz”. Falei que poderíamos entrar como todos os outros, que não se preocupasse com os demais. Então, concordou e entrou sorrindo, já que era isto mesmo que ela queria. Ser aceita. Porque para mim, familiares ou cuidadores, limpar fezes, urina e outros fluídos corporais não causam (mais) ojeriza. Causam cumplicidade. Por estarmos juntos para o que der e vier. 

Ademais, pode acontecer com qualquer pessoa. Ninguém está imune de uma doença ou vicissitudes da vida. Olha só, há quem tolere fezes dos animais de estimação – tolero, também, principalmente quando ele esta indisposto ou doente – Mas há os que não abrem exceção para seres humanos. Estranho não é? Tem dias, nestes tempos de crise, intolerâncias e muita chuva, que parece a bruxa estar solta - aí a gente sente a falta da solidariedade, compreensão, aceitação, cumplicidade, tolerância...
Quando nada disso acontece, bate desolamento. Faz pensar que mais que exalados das chagas das maldades humanas – que os mau cheiros humanos, há podridão e odores desagradáveis são tantas. Muito mais do que possamos compreender. A sorte é saber que nem todos são assim. E que podem contagiar os demais. Quanto àquela pessoa querida, ela sabe que nunca desistiremos dela. Terá muito amor e os cuidados necessários - Enquanto estiver entre nós.


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