Um dia conheci A. quando ele estava encostado num ponto de ônibus, com um saco de lixo e seus poucos pertences. Estava frio, lhe ofereci um café e me disse que só aceitaria se não precisasse entrar na padaria. Já tinha sido agredido pelo segurança de lá. Ele tomou rápido o café e guardou os pães de queijo para mais tarde. Tinha que procurar um abrigo antes que anoitecesse. Na rápida conversa, me perguntou se tinha um radinho de pilha para lhe dar. 

O tempo passou. Procurei A. pelas redondezas e nada. Ele não ficava mais debaixo daquela marquise onde pernoitava. De fixo só o radinho que andou pra lá e pra cá dentro do carro. Sem dono. Até que este dia chegou - Hoje. Estava chegando ao trabalho e avistei A. com o saco de lixo nas costas. Andava devagar, por conta da deficiência nos pés.

Me deu ansiedade. Tinha que estacionar rápido antes que ele entrasse numa daquelas ruelas e seria difícil encontrá-lo de novo. Saí correndo com o radinho dentro da caixa e subi a avenida, sem noção de onde ele poderia estar. Fui até aquela marquise. Nada. Desci a avenida, sem sucesso. A caixinha debaixo do braço. Foi quando vi A. subindo a avenida. Estava cabisbaixo. Não deve ter entendido nada pois abri um sorriso de feliz por encontrá-lo. – Tudo bem A.? Ele respondeu – o que que foi? Eu disse – Nada. Só queria te dar o radinho. Lembra? Ele não lembrava. Só sorriu surpreso e agradecido. Perguntou de novo meu nome e liguei o radinho numa música qualquer. Ele fechou os olhos por alguns segundo e ficou ouvindo. Fiquei de na próxima vez dar-lhe um fone de ouvido. Ele me entregou a caixa dizendo que era melhor sem ela para não acharem que havia furtado. Voltei feliz com a caixa vazia. Ele seguiu feliz com a cabeça cheia de música.http://www.bomestarbem.com/



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